segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O COMEÇO DE TUDO



Há muito tempo atrás, 78 big bangs antes do nosso big bang...

Uma imensa nave se materializa na órbita do planeta Leonida. A colossal nave de proporções da Lua, abrigaria toda a população leonida para uma viagem incerta, sem rumo, sem destino. O planeta Leonida estava morrendo. Com a atmosfera esparsa, com os oceanos secando, o suporte de vida da civilização leonida fora consumido pelo uso da tecnologia de materialização.

Simultaneamente com a materialização da gigantesca nave, desencadeou-se no planeta Leonida, erupções vulcânicas, terremotos, tsunamis e relampejar intenso.

Após séculos e séculos de uso da tecnologia de materialização, o sistema solar inteiro dos leonidas tinha se transformado num deserto, pois a tecnologia consumia o elétron da magnetosfera dos planetas, e dos três sóis que compunham o sistema de planetas. Sem a magnetosfera, todos os planetas do sistema se tornaram inabitáveis, pois é a magnetosfera que garante a atmosfera dum planeta. Na ausência da atmosfera, todos os oceanos foram sendo sugados pelo espaço sideral. O sistema solar trinário também fora afetado na sua magnetosfera. Em duas décadas, os seus três sóis perderam brilho, com menor fusão de hidrogênio nos seus núcleos.

A gigantesca nave-mãe fora batizada de MAZONA, ou seja, esperança em leonida. Ela levaria os habitantes a uma novo planeta prometido, longe dos erros cometidos pela sua civilização. Haviam leonidas contra a criação da nave-mãe através do materializador, pois este feito estaria acabando com o espectro eletromagnético doutros planetas que supostamente serviriam de abrigo para a população, num raio equivalente a um centésimo da Via Láctea, ou seja, 10 bilhões de anos-luz de sistemas solares e planetas desertos.

Tudo começou quando o renomado cientista leonida Curumbatso Calundamitsu acidentalmente descobriu a interação entre a força nuclear forte (em linhas gerais, a formação de prótons e neutrons por quarks e glúons, e a atração entre prótons e neutrons que formam o núcleo do átomo) em relação à força nuclear fraca (emissão dos elétrons por neutrons via degradação beta) e o campo eletromagnético, que possibilitaria a materialização do átomo, da molécula, por fim dum objeto.

Com uma espetacular tecnologia que possibilitava a fusão nuclear a baixas temperaturas, o núcleo do átomo era formado com a manipulação direta de cada próton e neutron individual. Formava-se o núcleo num campo fotônico induzido a velocidades supra-relativísticas, e os elétrons preenchiam as órbitas mediante desaceleração do campo. Este preenchimento espontâneo das órbitas dos elétrons, começara a corroer a magnetosfera do planeta.

Anos se passaram após a descoberta do Professor Calundamitsu, até que engenheiros da Escola Naval-Sideral de Latívia, a capital do planeta Leonida, encontraram uma maneira de materializar dados digitais dum objeto, utilizando o princípio da interação entre as forças da natureza.

Os leonidas passaram então a materializar tudo que era necessário para o conforto da sua população, desde casas, cidades inteiras e até o próprio alimento. Libertados do trabalho físico, os leonidas se concentravam primariamente no fomento de realidades virtuais e da saúde.

Os primeiros sinais de irregularidade com o uso da tecnologia da materialização, vieram quando os técnicos da Escola Naval-Sideral de Latívia não mais conseguiam materializar a água. Alguns suspeitavam que o hidrogênio e o oxigênio não mais se coligavam devido à alteração no spin dos neutrinos, causada pela interferência artificial na força nuclear fraca. O estudo realizado pelos técnicos implicava que a tecnologia não mais poderia ser utilizada para manter a economia da civilização Leonida, pois a própria estrutura da matéria ao nível quântico no planeta estaria sendo comprometida.

Leonidas do governo central abafaram este estudo, enviando os técnicos da Escola Naval-Sideral a um local remoto, sendo feito prisioneiros políticos. Décadas se passaram com veemente censura sobre o problema dos neutrinos e a estrutura quântica da matéria no planeta. O materializador continuou sendo usado, exceto para a água, como se não houvesse nenhum problema.

Os primeiros gritos de alerta foram emitidos quando foi verificado uma infertilidade generalizada no planeta entre as fêmeas leonidas. As fêmeas simplesmente não mais se engravidavam ou os fetos nasciam defeituosos. Observou-se também cataclismas metereológicos, com série de secas e tempestades destruidoras por todo o planeta, e também nos planetas do sistema solar Leonida.

A junta científica conseguira elucidar estes problemas, que estariam sendo causados pela rareficação da magnetosfera do planeta para as intempéries, e a consequente alteração do campo gravitacional, que estaria afetando a fertilidade das fêmeas leonidas.